Texto de abertura do Ano Maçônico
Loja Edson Alves no ano de 2026
Abrir um novo ano maçônico não significa apenas retomar sessões, ocupar cargos ou repetir rituais. Significa, antes de tudo, renovar compromissos. Compromissos assumidos não somente perante os homens, mas diante da própria consciência e sob o olhar permanente do Supremo Arquiteto do Universo. O olho que tudo vê.
Cada novo ciclo que se inicia é como o reajuste do Esquadro sobre nossas ações e a renovada abertura do Compasso sobre nossas intenções. É momento de examinar se, as nossas obras permanecem alinhadas à retidão, se nossos pensamentos continuam circunscritos pela justa medida e se nossa conduta honra a Luz que um dia recebemos neste Templo.
Vivemos tempos em que o ruído do mundo profano invade facilmente o nosso silêncio interior. A pressa substitui a prudência. A aparência tenta suplantar a essência. A opinião, muitas vezes, se sobrepõe à reflexão.
Por isso, mais do que nunca, deve a Loja ser o espaço do recolhimento, o abrigo da serenidade e o santuário da escuta atenta. Aqui, aprendemos que a palavra deve edificar; que o silêncio também ensina; que a verdadeira força não se impõe — inspira.
Que este novo ano maçônico seja marcado por menos vaidade e mais virtude; menos inquietação e mais equilíbrio; menos julgamento e mais compreensão.
A verdadeira Força manifesta-se na constância. Não está no gesto impulsivo, mas na atitude firme e perseverante. Que cada Irmão, do mais recente Aprendiz ao mais experiente Mestre, encontre neste ciclo o estímulo sincero para trabalhar na lapidação da Pedra Bruta que traz em si.
Sabemos que a Pedra não se transforma por golpes desordenados. Ela exige método, disciplina e intenção consciente. Assim também se constrói o caráter. Assim se edifica o Templo Interior.
Fortaleçamos a fraternidade para que ela não seja apenas palavra pronunciada em ritual, mas prática viva e constante. Fraternidade é cuidado. É presença. É respeito. É saber discordar sem romper, dialogar sem ferir e construir sem excluir.
Zelemos pela harmonia da Loja. Nenhuma construção permanece firme se seus alicerces estiverem fragilizados pela divisão ou pela vaidade. Onde há desunião, a obra enfraquece; onde há equilíbrio e propósito comum, ela se eleva com segurança e beleza.
Honremos o método iniciático que nos foi confiado. Respeitemos o tempo, o silêncio e cada símbolo que nos é apresentado. Nada aqui é casual. Cada gesto, cada palavra e cada instrumento apontam para uma realidade mais profunda: a transformação do homem em algo melhor do que era ontem.
O tempo — essa argamassa invisível da construção interior — é o recurso mais precioso que recebemos. Cada reunião é uma oportunidade. Cada instrução é um tijolo assentado. Cada reflexão sincera é um polimento aplicado à Pedra Bruta.
Sabemos que, no momento oportuno, prestaremos contas da obra realizada ao Supremo Arquiteto do Universo. Não das intenções proclamadas, mas do trabalho efetivamente executado.
Que ao final deste ano maçônico possamos olhar para nós mesmos e perceber que avançamos, ainda que discretamente. Que as imperfeições tenham sido reconhecidas com humildade. Que as virtudes tenham sido cultivadas com sinceridade. Que a Luz recebida não tenha sido apenas contemplada, mas vivida.
Se assim procedermos, nossa Loja será mais do que um espaço físico. Será verdadeiramente um Templo. E nossa caminhada no mundo profano será reflexo da ordem e da harmonia aqui aprendidas.
Que possamos, portanto, iniciar este novo ciclo com espírito renovado, vontade disciplinada e coração fraterno.
E que, ao término deste ano, possamos contemplar a Pedra Bruta que ainda somos e reconhecer nela mais forma, mais sentido e, sobretudo, mais Luz.
Que assim seja, sob a proteção do Supremo Arquiteto do Universo.
Marcos Sandoval Medeiros de Freitas
M:.M CIM: 145.853



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